21 julho, 2009

O Gang dos Profiteroles

Ao longo da vida muitas são as situações e experiências, que nos marcam e deixam um rastro de sabedoria, alegria, tristeza, alguma nostalgia, saudade e muitos outros sentimentos.
Por essa razão, não posso deixar de falar numa situação que ocorreu recentemente comigo e que envolveu 12 pessoas em 100 horas. Foi uma experiência intensiva e gratificante que no fim envolveu profiteroles, bolo monumental, pão de Vale de Ílhavo, bôla de carne, leite creme com farófias, rissóis, quiches vegetarianos, etc...
Mas vou começar do início: há cerca de 3 semanas atrás decidi frequentar o curso de Formação Pedagógica Inicial de Formadores em Aveiro. O curso decorreu em horário laboral e comigo se inscreveram mais 10 colegas. Ao longo das 100 horas tivémos duas formadoras que tornaram o curso dinâmico e interativo entre todos os formandos. A boa disposição (apesar das tardes quentes e alguns ataques de preguicite após almoço) foram uma constante. O debate de ideias, a partilha de experiências foram enriquecedores para todos. A turma criou um espírito de grupo e as opiniões sempre foram respeitadas, assim como as personalidades de cada um. E o resultado desta experiência positiva esteve à vista no último dia do curso. Partilhámos um piquenique dentro de uma sala de aula e pela primeira vez ninguém teve pressa de ir embora. Foi quase preciso a formadora correr-nos de lá com a vassoura!
Mas tudo tem um tempo e as 100 horas depressa passam. Ficam as memórias de um grupo de pessoas, que a minha colega (defensora da cidade de Ílhavo), apelidou de "gang dos profiteroles" .
Partilhámos algo e desejamos o mesmo.
A todos eles desejo o melhor e que consigam o sucesso que tanto anseiam!

03 junho, 2009

Pura adrenalina..."é bom sujar-se"

Há uns tempos atrás, existia um anúncio publicitário, a uma marca de detergente de roupa, que incitava as pessoas, em especial as crianças a sujarem-se. O anúncio referia que era divertido brincar com lama, barro, terra e mais uma série de "ingredientes" e não havia nódoa que resistisse, na hora de ajustar contas, na lavagem da máquina. Decidi então testar, não o detergente, mas sim a teoria que é bom e divertido sujar-se.
Tudo começou com uma conversa entre amigos sobre desportos radicais. Os fanáticos por estas actividades alegam que não existe nada melhor. É aquela história que a adrenalina corre nas veias a mil e deixa o ser humano extasiado com tanta aventura, energia, perigo, blá, blá, blá... Considero-me uma pessoa aventureira com uma pitada de radical, mas uma pitada pequena. Prezo a segurança do meu corpo e como já bastam as preocupações com as rugas, não preciso de umas cicatrizes para juntar à preocupação. Mas um dos meus amigos que tem a alcunha de GPS (nem me vou dar ao trabalho de explicar) lá conseguiu convencer-me a experimentar BTT. Para quem não sabe, quer dizer Bicicleta Todo o Terreno. Explicando em pormenor, quer dizer: andar de bicicleta por cima de folhas, raízes, pedras, lama, poças, rios, descer vertiginosamente caminhos com declives acentuados e subir montes, muitas vezes com a bicicleta às costas. Desviar-se de arbustos espinhosos, ramos e troncos soltos que nos podem fazer cair da bicicleta. Tudo isto em trilhos superiores a 25 km. Aliciante não? Decidi então fazer a vontade ao meu espírito de aventureira e "provar" um pouco de BTT... Quando o dia chegou, equipei-me a rigor, não esquecendo o capacete e lá fui eu a caminho do monte. No início do trilho as coisas corriam bem. Umas pedras e troncos ali e acolá, umas poças de água, mas nada de complicado. Depois de hora e meia a pedalar e de uma pausa para o lanche, para restituir a energia, continuámos a aventura. -"Afinal até me estou a safar bem. Isto até é porreiro no meio de toda esta natureza! Ar puro e exercício!"-pensava eu, enquanto seguia o GPS (o meu colega). Planeava já o dia para repetir a experiência quando nos últimos quilómetros, o meu colega decide surpreender-me, ao dizer, que a última parte do trilho, é o verdadeiro desafio para os fanáticos de BTT. Estava ainda a tentar processar aquela informação, quando me deparo com um caminho inundado de água e lama. O meu colega passou sem hesitações (nem sei como o fez), mas eu paralisei. Não conseguia ir à volta e era obrigada a passar por ali. Lá respirei fundo e tentei abrir caminho naquele rio de lama mal cheirosa. Não fui muito longe...a bicicleta enterrou-se, perdi o equilibrio e a lama acolheu-me de braços abertos. Nos minutos seguintes tive uma luta na lama para conseguir tirar e sair com a bicicleta. Estava num estado deplorável e o cavalheirismo do meu colega foi rir às gargalhadas. - "Estas coisas acontecem" - disse. Depois de deixar um quilo de lama atrás de mim, montei na bicicleta e lá segui viagem entre palavrões e a vontade de tomar um banho. O meu desejo foi realizado. Era preciso passar por um pequeno rio, mas não cheguei a fazê-lo. Ao chegar à margem o pneu da bicicleta escorregou numa pedra e aterrei no rio. Nada disse mas o meu colega, ao ver a minha expressão, decidiu terminar o passeio por ali. A minha teoria tinha acabado de ser testada e já tinha conclusões suficientes.
É bom sujar-se? Ah!! Não me venham com essa!! Não tem nada de divertido chegar a casa cheia de lama mal cheirosa e toda molhada a pingar por todo o lado!! E ainda por cima levar uma "mangueirada"com água fria no jardim, porque estou proibida de entrar em casa naquele estado!! Quanto à minha bicicleta ainda continua suja, para lembrar ao meu espírito de aventureira, que existem outras coisas melhores do que o tal detergente refere.

18 maio, 2009

O regresso

Regresso porque andei perdida... Durante algum tempo, perdi o sentido e as palavras estiveram adormecidas na minha mente. Muitos escritores chamam a isto "falta de inspiração" mas eu digo que são os problemas da vida que bloqueiam as ideias e nos consomem por inteiro até esgotar tudo. Estive perdida num labirinto confuso e dúbio e divagei por caminhos que me levaram ao silêncio.
Assim começou a minha busca por aquilo que já não tinha e certo dia acordei diferente. As palavras estavam de volta para poder trabalhá-las e dar sentido às minhas estórias.
Regressei ao sentido das letras porque finalmente me encontrei.